A Importância do Brincar como Estimulação Precoce para Crianças no Transtorno do Espectro Autista - Azul e Rosa

A Importância do Brincar como Estimulação Precoce para Crianças no Transtorno do Espectro Autista

“É preciso dar mais ênfase no que a criança
pode fazer do que no que não pode fazer.”
(Temple Grandin)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais comumente conhecido simplesmente como “autismo”, é um transtorno do neurodesenvolvimento que acomete mais meninos do que meninas (em média, 4 meninos a cada menina). Embora sua causa específica ainda seja motivo de estudo, sabe-se que as principais dificuldades enfrentadas são:

  • contato visual – indivíduos no TEA tem dificuldade para estabelecer (e manter) contato visual;
  • interação social – apresentam dificuldade para iniciar uma conversa (e em manter essa conversa), para brincar e interagir com os pares (sejam eles crianças ou adultos);
  • oralidade – em muitos casos, “demoram mais” a falar ou apresentam uma fala “não funcional” (ou seja, sem o objetivo de pedir algo ou comunicar algo), dificuldade em comunicação verbal e não verbal;
  • interesses restritos e repetitivos – demonstram grande interesse (e, muitas vezes, grande conhecimento) em algum assunto específico (também conhecido como “hiperfoco”);
  • estereotipias – podem ser motoras (movimentos repetitivos com as mãos/os braços, movimento do corpo para frente e para trás, entre outros exemplos), vocais (repetição de palavras/falas/sons sem função comunicativa), com objetos (balançar repetidamente, alinhar/enfileirar, girar repetidamente objetos circulares);
  • sensibilidade sensorial – maior dificuldade com toque, sons, texturas, excesso ou falta de sensibilidade (por exemplo, pela dificuldade em entender o perigo de uma situação, podem se queimar acidentalmente e não sentir ou demorar mais a sentir). Isso pode também se estender à alimentação e a criança apresentar seletividade alimentar.

Embora cada indivíduo no TEA seja diferente entre si, com as suas potencialidades, as suas dificuldades e a sua maneira de lidar com as situações, três pontos são absolutamente essenciais em todos os casos: avaliação precoce, intervenção precoce e estimulação precoce.

O processo de avaliação deve ser feito por equipe multidisciplinar especializada (neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo entre outros) e essa equipe recomendará as intervenções necessárias, mas você sabia que a estimulação precoce já pode acontecer em casa? Isso mesmo. Em casa, brincando com a criança, você pode proporcionar momentos de interação e diversão (e, consequentemente, muito aprendizado).

Devido às questões abordadas acima referentes às dificuldades do indivíduo no TEA, a abordagem durante as brincadeiras precisam ser cautelosas e você, adulto, precisa estar atento a alguns pontos importantes nesse processo:

  • aproxime-se devagar, respeitando o espaço da criança e o que ela estiver fazendo no momento;
  • posicione-se de frente para a criança (isso irá ajudar no contato visual e na imitação), a uma distância que seja confortável para a criança, com um brinquedo igual (ou o mais semelhante possível) ao que a criança estiver brincando e comece a brincar, narrando, fazendo sons engraçados/onomatopeias;
  • encontre o seu lugar na brincadeira e respeite a liderança da criança. Mostre que você tem interesse naquilo que ela está fazendo e que também será muito divertido brincar com você. Seja “parceiro” da criança;
  • muito cuidado ao pedir variações/dar demandas. Espere a criança estar bem conectada com você para pedir alguma variação.

Brincar é um processo valiosíssimo e importantíssimo para toda criança, seja ela neurotípica (sem o TEA) ou atípica (no TEA). Por isso, ele precisa ser leve para a criança. Quanto mais leve e mais natural for esse processo do brincar, mais a criança verá que é legal interagir com alguém, que é legal olhar para alguém, imitar o que a outra pessoa está fazendo.

Toda criança no TEA é capaz de aprender e se desenvolver. Até porque o TEA não é uma doença: é apenas uma forma diferente de ver e sentir o mundo.


Luana Lage Moreno Cana
Professora e Psicopedagoga
Especializada em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

5/5 Plural: (3 Análises)

One thought on “A Importância do Brincar como Estimulação Precoce para Crianças no Transtorno do Espectro Autista

  1. Fernanda Fernandes says:

    Um artigo sensível e necessário sobre a importância do brincar, do olhar e cuidados necessários com os pequenos dentro do espectro!

    Aí ler o texto é possível observar a prática através das dicas valiosíssimas.

    Parabéns Luana e a loja Azul e Rosa pela iniciativa!

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